quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Eu te amo - IV


"Roda mundo, roda-gigante. Roda-moinho, roda pião. O tempo rodou num instante. Nas voltas do meu coração"
Chico Buarque

Eu fui lançado para um mundo recriado da criação recriada de coisas que foram criadas há tempos imemoriais. Numa espécie de ciclo da fênix que morre em autocombustão e ressurge das cinzas, continuamente. Adoro o termo “on and on” do inglês: continuamente, ou ainda uma permissão para criar o “sempremente”. Permita-me? Não pude criar o “algodoar o céu” porque algodoar já está nos dicionários; e nem foi um presente de Guimarães Rosa, porque o termo existe desde 1556. Blá! Sempremente procuro por estes momentos de contemplação, em qualquer dobra de instante cotidiano. Isto alimenta a vida, insufla a vontade, combusta o desejo. Se eu sou apenas um parêntese para você, é porque as coisas ordinárias me avassalam e tornam os meus momentos insignificantes.  Quero estupeficá-la na descoberta, não de quem você é, mas do que você pode ser. Minhas palavras devem recriá-la para que não permaneçam próximas ao limbo do esquecimento. Elas devem mexê-la no inusitado sabor que está ali nos pensamentos que ainda não foram tocados pela sua compreensão. Naquelas imagens que ainda estão no parapeito em que você pode me observar. Um espelho? Talvez sim, ou talvez não. Se for, deve ser translúcido o suficiente para guardar o mistério divino do amor. Aquele que, se descoberto, desnuda apenas a paixão. Se opaco, deve sugerir algo que nunca poderia ser alcançado por estes cinco sentidos que traduzem o que nos cerca. Mas por um sexto, sétimo, nongentésimo sentido de observação oblíqua ao universo. O mesmo que remexe o coração sem uma explicação fidedigna de palavras, sem uma razão digna de explicações. Apenas mexe, remexe, balança, e leva todo o sopro da existência para a boca gritar: Eu te amo!

2 comentários:

  1. Como a imagem, os tons opacos acinzentados camufla a verdadeira beleza das flores quando esconde suas tonalidades. A mente é assim! Por não conseguir enxergar pelo parapeito dos acontecimentos camufla os sentimentos verdadeiros e não houve quando o coração grita: Eu te amo! Talvez por isso não cria acepção do que foi recriado até mesmo no nongentésimo sentido da percepção: a própria descoberta!

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  2. Como manter o equilíbrio, eis a questão.

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