Imagem gerada pelo GPT-4o
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Estou dentro de uma estiagem da esquizofrenia que é o viver sem paixão. Há um abismo entre o tempo presente e aquele futuro que apenas vislumbro, eclipsado por um cotidiano eterno e morno. Meu corpo foi abortado pela minha história e a minha mente vinga com fel o calar inseparável da minha voz. Não me escuto e, despido de mim, começo a escrever com algumas imagens na mente: a dança e o teu rosto. Porém, eu nunca sei como vai terminar. As palavras parecem brotar de numa espécie de névoa. Aparecem e se deitam na escrita. Olham para mim e me seduzem. Para mim, uma palavra é como uma mulher nua na cama. Deve ser decifrada pelas suas sombras, não por quem se pensa que é. A cópula com a semântica deve levar ao êxtase quase corpóreo, ou animal, de rasgar a pele e sorver os líquidos com urgência, mas sem pressa. Se haverá um nascimento ou uma expulsão, apenas o leitor dirá.
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