Franco Leoni, Public domain, via Wikimedia Commons
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As folhas se seduzem pelo vento e somem no seu sopro para o firmamento, levadas pela eternidade nas brisas e nos tufões de um ciumado Zéfiro . Elas vão e espalham seu verde sob o azul, eu fico no cinza desta cidade, dentro dos matizes permitidos pelo horizonte muralhado. Quando há calmaria, as folhas se deitam e padecem; lentamente consumidas como sou absorvido pela esperança: à noite deito e tento sobreviver aos pesadelos. Quando há tempestades, as folhas ignoram e apenas voam como aves migratórias. Consumem as distâncias e as ânsias, num bailado eterno sem destino, mas com estradas que expelem caminhos. A vida pode ser um vento e eu uma folha. Às vezes sou levado para o teu lado, às vezes para o longínquo. Às vezes sou meu cárcere, às vezes minha ave, mas sempre numa quixotesca tentativa de domar as ventanias.
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