segunda-feira, 11 de maio de 2020

Vestes da Morte



Sonhos que clareiam o que a realidade obscurece, mas ruídos invadem meu quarto e abraçam a minha solidão. Vozes alheias, que destroem frases em indecifráveis palavras, desconexas de significados e rostos. Não há mais toques e sensações explícitas de pele, somente persiste o desejo que embriaga as longas noites. O véu descerra o que se esconde, no poente de quem somos e na distância infinda de quem queremos ser. Posso te construir como uma miragem, que se encanta pelo sorriso figurado, preso em algum lapso de memória. Quero te construir como veras ao beijar meus lábios, ao tocar e percorrer minha pele ávida. Quero te construir pelos olhos teus dentro dos meus olhos, em faíscas de emoções que chovem na tua silhueta. Mas não adornas este quarto, nem ao menos estás presas numa imagem na parede. Neste manto noturno, teu corpo se deita longe e inflige o frio da distância na minha sensibilidade, como uma brisa gelada que passa em golfada pelo meu rosto. Gela-me a vida, em calafrios desesperados na presença da ausência que se assemelha à morte. Estou só, acompanhado de mim e dos pensamentos que te flertam, mesmo que ignores meus murmúrios apaixonados.

2 comentários:

  1. Rapaz| "Quem sou eu" e "Vestes da Morte" peço permissão para copiar nas minha coleção dos melhores Pensamentos que li? PARABÉNS! São de arrepiar!
    Abração do Lange.

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